andaram de mãos dadas: o processo de socialização das novas
gerações inclui necessária e logicamente a preparação dos jovens
indivíduos para o uso dos meios técnicos disponíveis na sociedade, seja o
arado seja o computador. O que diferencia uma sociedade de outra e
diferentes momentos históricos são as finalidades, as formas e as
instituições sociais envolvidas nessa preparação, que a sociologia chama
“processo de socialização”.
Neste início do século 21, quando o futuro já chegou, observamos
novos modos de socialização e mediações inéditas, decorrentes de artefatos
técnicos extremamente sofisticados (como por exemplo a realidade virtual)
que subvertem radicalmente as formas e as instituições de socialização
estabelecidas: as crianças aprendem sozinhas (“autodidaxia”), lidando
com máquinas “inteligentes” e “interativas”, conteúdos, formas e normas
que a instituição escolar, despreparada, mal equipada e desprestigiada,
nem sempre aprova e raramente desenvolve. Do ponto de vista da
sociologia, não há mais como contestar que as diferentes mídias eletrônicas
assumem um papel cada vez mais importante no processo de socialização,
ao passo que a escola (principalmente a pública) não consegue atender
minimamente a demandas cada vez maiores e mais exigentes e a
“academia” entrincheira-se em concepções idealistas, negligenciando os
recursos técnicos, considerados como meramente instrumentais. No setor
privado, as escolas respondem “naturalmente” aos apelos sedutores do
mercado e se entregam de corpo e alma à inovação tecnológica, sem
muita reflexão crítica e bem pouca criatividade, formando não o usuário
competente e criativo, como seria desejável, mas o consumidor
deslumbrado.

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